O nome do cantão se deve ao fato de que Daniel López foi um filantropo jipijapense que contribuiu de forma decisiva para o desenvolvimento desta região. Filho de um colombiano e da guayaquilenha Carmen Saltos, em sua homenagem o Município de Jipijapa deu nome a esta bela enseada. No entanto, a história de Puerto López começa muito antes. Há mais de cinco mil anos, as culturas Valdivia, Machalilla e Manteña já habitavam estas costas, dominando a navegação, a pesca e o comércio da preciosa concha Spondylus.
Hoje, Puerto López é muito mais do que um simples povoado de pescadores. É um dos principais destinos de ecoturismo da costa equatoriana, a porta de entrada para o Parque Nacional Machalilla, o melhor cenário para a observação de baleias jubarte e um lugar onde a história milenar convive com o turismo sustentável e a autêntica hospitalidade manabita.
Paróquias e recintos que compõem o Cantão Puerto Daniel López
Puerto López é a sede cantonal. Suas paróquias rurais são Machalilla e Salango, dois dos lugares mais emblemáticos do turismo e do ecoturismo na província de Manabí. Entre seus recintos destacam-se Río Chico, Puerto Rico, Las Tunas, Ayampe, El Pital, Río Blanco, Guale, San Vicente, La Ciénaga, Dos Ríos, Sitio Buena Vista, La Encantada, La Mocora, San Jacinto e El Triunfo.
Cada um desses lugares possui identidade própria. Ayampe é conhecido pelo ambiente boêmio e pelas ondas perfeitas para o surf. Las Tunas e Río Blanco oferecem experiências de turismo comunitário e caminhadas. Já Salango guarda um dos museus arqueológicos mais importantes da costa, com peças com mais de 4.500 anos de história. É aqui que o visitante pode tocar a ancestralidade do Equador.
Geografia e limites do Cantão
Os limites são: ao norte a Paróquia de Machalilla; ao sul até o cerro chamado Cinco Cerros, que demarca a fronteira com a Província de Santa Elena; a leste Julcuy e Pedro Pablo Gómez; e a oeste o imponente Oceano Pacífico.
Localização
Puerto López está localizado a 165 km de Portoviejo, na zona sudoeste da província de Manabí, com costas diretas para o Oceano Pacífico. A sede cantonal situa-se aproximadamente a 1°33′28″ de latitude sul. Possui uma extensão de 449 km² e cerca de 15.656 habitantes.
Essa localização privilegiada transforma Puerto López no ponto de partida ideal para explorar o Parque Nacional Machalilla, a Ilha de la Plata (conhecida como “as Galápagos pequenas”) e as melhores zonas de observação de baleias jubarte de todo o Equador.
Aspecto hidrográfico
Puerto López é atravessado por vários rios: Ayampe, Puerto Rico, Punteros, La Curia, Salango e Riofrío. A maioria é intermitente, com exceção do Ayampe, cujo caudal é permanente. Todos desaguam no Oceano Pacífico. Mais de uma dezena de bacias hidrográficas formam o sistema de Puerto López. Na região também existe uma boa quantidade de águas subterrâneas ainda pouco aproveitadas.
Esses rios e estuários alimentam os ecossistemas únicos do Parque Nacional Machalilla, onde o bosque seco tropical convive com manguezais. Por isso a região é ideal para o ecoturismo e a observação de aves.
Clima
A influência da corrente de Humboldt e do fenômeno El Niño, juntamente com as condições orográficas, transformaram este território em uma zona especial do ponto de vista ecológico. De maio a outubro ou dezembro ocorre uma garoa permanente em quase toda a região, com intensidade variável conforme o resfriamento das águas do mar.
Como consequência, definem-se quatro zonas: Bosque Espinhoso Tropical, bosque muito seco tropical, Bosque seco tropical e bosque pré-montanhoso tropical. Entre fevereiro e abril ocorrem as maiores precipitações. A pluviosidade média anual é de 424 mm, com evaporação de 879 mm. A umidade relativa atinge 84 % e a temperatura média anual é de 24 °C.
Esse clima ameno e ensolarado torna Puerto López um destino ideal para o turismo durante todo o ano, especialmente entre junho e outubro, quando as baleias jubarte chegam para se reproduzir em suas águas.
Aspecto orográfico
O relevo de Puerto Daniel López é influenciado pela Cordilheira de Chongón e Colonche, que percorre de sul a norte. Próximo à costa o terreno é plano, com elevações que não ultrapassam 800 metros acima do nível do mar. Na zona montanhosa predominam inclinações moderadas, íngremes e muito íngremes. Destacam-se as pontas El Sombrerito, Bálsamo, El Barquito, Cabezona, a Isla Salango e numerosos ilhotes.
Essas formações geográficas oferecem paisagens espetaculares e abrigam trilhas ecológicas ideais para o ecoturismo e o turismo de aventura, como o famoso caminho até a praia de Los Frailes ou as rotas que levam às comunidades de Agua Blanca e El Pital.
Aspecto de produção econômica
A agricultura é considerada um meio de subsistência. Os principais cultivos são milho e café, presentes nas comunidades de Río Blanco, Matapalo, Las Tunas e Río Plátano. Também se pratica a criação de gado bovino, da qual depende cerca de 16,9 % da população.
Uma das principais atividades dos habitantes de Puerto López e Machalilla é a pesca artesanal, que sustenta 47,5 % da população. No entanto, diante dos problemas que a atividade pesqueira enfrenta (sobrepesca, concorrência industrial e mudanças climáticas), o turismo se apresenta como o principal motor econômico da região. As projeções indicam um aumento de até 200 % no número de turistas nos próximos cinco anos.
O ecoturismo já mantém 22,1 % da população, enquanto o comércio em geral ocupa 19,5 % dos habitantes. Em Salango existem pequenas oficinas de serralharia, confecções e padarias, além de artesãos que produzem artigos de argila — uma tradição que remonta às culturas pré-colombianas.
Arquitetura
Nas comunidades as casas típicas são construídas de cana guadúa com telhado de cade. Os mesmos materiais foram utilizados na construção dos melhores hotéis e hosterias do cantão, conferindo-lhes um caráter autêntico e sustentável. Na sede cantonal predominam construções mistas e de concreto, embora ainda se encontrem as tradicionais casas de cana, testemunho vivo da arquitetura vernácula manabita.
Essa arquitetura tradicional tornou-se um atrativo a mais do turismo cultural e do ecoturismo, pois muitas hosterias ecológicas souberam integrar o design ancestral com o conforto moderno.
Festas tradicionais
Hospitaleiro, alegre e muito festeiro: assim é o habitante de Puerto López. A maior parte da população é católica e espera com ansiedade as festas patronais em homenagem à Virgem da Imaculada Conceição (8 de dezembro), a Nossa Senhora das Mercedes (24 de setembro) e aos santos Pedro e Paulo (29 de junho).
Durante essas celebrações são realizadas procissões a bordo de embarcações no mar, novenas e terços. No Natal cada bairro monta o seu presépio. O Festival das Baleias Jubarte, realizado entre junho e setembro, tornou-se uma das festas mais importantes do turismo e do ecoturismo de toda a costa equatoriana.
Dança e música
As composições musicais seguem o ritmo de boleros, pasacalles e pasillos. Também se encontram copleros e músicos populares que cantam sobre as vivências diárias do mar. A música é parte inseparável da identidade de Puerto López e acompanha tanto as faenas de pesca quanto as celebrações turísticas.
Crenças
Os habitantes de Puerto López acreditam em bruxarias, fenômenos paranormais, visões e espíritos. Os pescadores contam a existência de barcos fantasmas ou de uma luz que percorre o mar sobre um caixão. Uma figura lendária é a “bruxa” ou “mãe do monte”, uma mulher que percorria a população despenteada e com o rosto coberto pelo cabelo. Essas histórias fazem parte do atrativo do turismo cultural e do folclore local.
Educação
Puerto López teve o seu primeiro colégio fiscal chamado Eduardo Granja Garcés e a sua primeira escola foi a Isidoro Barriga. Atualmente existem três colégios: o Colégio Nacional Técnico Fiscal “Província de Manabí”, o Colégio Particular Paramilitar 5 de Mayo e o Colégio a Distância Camilo Gallego. Há 12 escolas entre particulares e públicas e 5 jardins de infância.
No ensino superior funcionam duas universidades a distância: a Universidade Técnica de Babahoyo – Escola de Ecoturismo e a Universidade Estadual de Guayaquil – Faculdade de Filosofia. A existência da Escola de Ecoturismo reflete a importância crescente do turismo sustentável e do ecoturismo na visão de futuro do cantão.
Escudo e símbolos do Cantão
O emblema cantonal é composto por três faixas horizontais nas cores verde, branca e azul, cujo significado é o seguinte:
- Cor verde: representa a agricultura e a vegetação exuberante existente dentro do Parque Nacional Machalilla, local de grande interesse turístico.
- Cor branca: representa a pureza do seu povo e o assentamento das culturas pré-colombianas Manteña, Machalilla e Valdivia.
- Cor azul: reflete o céu e a riqueza ictiológica, fonte de trabalho e subsistência do povo.
O Escudo ou brasão de Puerto López repousa sobre um pergaminho de cor amarelo-ouro, com uma tocha que representa a luz da liberdade. Divide-se em cinco quartéis:
No quartel superior aparece uma paisagem turística com suas belas praias, baías e ilhotas, um barco de pesca sobre as águas do Oceano Pacífico e uma coluna de aves marinhas em voo.- No quartel esquerdo, sobre fundo azul-celeste, figura uma árvore e um cacto representando o bosque úmido tropical e o bosque seco tropical, único na costa equatoriana e protegido pelo Parque Nacional Machalilla.
- No quartel direito, sobre fundo amarelo-claro, desenha-se a cadeira de pedra em forma de U, símbolo de poder e amostra arqueológica da cultura Manteña.
- No quartel inferior esquerdo aparece a cornucópia da abundância cheia de produtos agrícolas da região: café, tagua, milho, mandioca, tomate, laranja, tangerina, melancia e melão.
- No quartel inferior direito figura a bandeira cantonal.
Fora do escudo, na parte superior e inferior, há duas faixas de pergaminho com as cores da bandeira e as legendas: Turismo, Pesca e Cultura.
Puerto López não é apenas um destino turístico. É um território onde a história milenar, a natureza privilegiada e a hospitalidade do seu povo se unem para oferecer uma das experiências de ecoturismo mais autênticas e memoráveis do Equador. Venha descobrir suas praias, suas baleias, sua cultura e sua gente. Aqui cada amanhecer conta uma história de cinco mil anos.

